Ler não é apenas ter uma relação sensual com o livro, namorar sua capa, verificar o seu papel, apreciar a tipologia, olhá-lo de frente, cheirá-lo, senti-lo, ouvir o som das páginas virando, decifrá-lo com requinte, ou com volúpia, devorá-lo todinho. Ler é também se atualizar, aprofundar os conhecimentos, deixar a imaginação voar para lugares possíveis e improváceis. Argumentar com interlocutores atentos e inteligentes.Pinsky, J. In Folha de São Paulo, 28 de dezembro de 2003
Que é o livro?
Para fins estatísticos, na década de 60, a UNESCO considerou o livro "uma publicação impressa, não periódica, que consta de no mínimo 49 páginas, sem contar as capas".
O livro é um produto industrial. Mas também é mais do que simples produto. O primeiro conceito que deveríamos reter é o de que o livro como objeto é o veículo, o suporte de uma informação. O livro é uma das mas revolucionárias invenções do homem.
Para fins estatísticos, na década de 60, a UNESCO considerou o livro "uma publicação impressa, não periódica, que consta de no mínimo 49 páginas, sem contar as capas".
O livro é um produto industrial. Mas também é mais do que simples produto. O primeiro conceito que deveríamos reter é o de que o livro como objeto é o veículo, o suporte de uma informação. O livro é uma das mas revolucionárias invenções do homem.
O livro na antigüidade
Antes mesmo que o homem pensasse em utilizar determinados materiais para escrever (como por exemplo, fibras vegetais e tecidos), as bibliotecas da Antigüidade estavam repletas de textos gravados em tabuinhas de barro cozido. Eram os primeiros "livros", depois progressivamente mudados até chegar a ser feitos - em grandes tiragens - em papel impresso mecanicamente, proporcionando facilidade de leitura e transporte. Com eles, tornou-se possível, em todas as épocas, transmitir fatos, acontecimentos históricos, descobertas, tratados, códigos ou apenas entretenimento.
Antes mesmo que o homem pensasse em utilizar determinados materiais para escrever (como por exemplo, fibras vegetais e tecidos), as bibliotecas da Antigüidade estavam repletas de textos gravados em tabuinhas de barro cozido. Eram os primeiros "livros", depois progressivamente mudados até chegar a ser feitos - em grandes tiragens - em papel impresso mecanicamente, proporcionando facilidade de leitura e transporte. Com eles, tornou-se possível, em todas as épocas, transmitir fatos, acontecimentos históricos, descobertas, tratados, códigos ou apenas entretenimento.
Espelho da sociedade
A história do livro confunde-se, em muitos aspectos, com a história da Humanidade. Sempre que escolhem frases e temas, e transmitem idéias e conceitos, os escritores estão elegendo o que consideram significativo no momento histórico e cultural que vivem. E assim, fornecem dados para a análise de sua sociedade. O conteúdo de um livro - aceito, discutido ou refutado socialmente - integra a estrutura intelectual dos grupos sociais.
Cultura e comércio
Com o desenvolvimento do sistema de impressão de Gutenberg, a Europa conseguiu dinamizar a fabricação de livros, imprimindo, em cinqüenta anos, cerca de vinte milhões de exemplares para uma população de quase cem milhões de habitantes, a maioria analfabeta. Para a época, isso significou enorme revolução, demonstrando que a imprensa só se tornou uma realidade diante da necessidade social de ler mais.
Impressos em papel, feitos em cadernos costurados e posteriormente encapados, os livros tornaram-se empreendimento cultural e comercial: os editores passaram logo a se preocupar com melhor apresentação e redução de preços. Tudo isso levou à comercialização do livro.
Com o desenvolvimento do sistema de impressão de Gutenberg, a Europa conseguiu dinamizar a fabricação de livros, imprimindo, em cinqüenta anos, cerca de vinte milhões de exemplares para uma população de quase cem milhões de habitantes, a maioria analfabeta. Para a época, isso significou enorme revolução, demonstrando que a imprensa só se tornou uma realidade diante da necessidade social de ler mais.
Impressos em papel, feitos em cadernos costurados e posteriormente encapados, os livros tornaram-se empreendimento cultural e comercial: os editores passaram logo a se preocupar com melhor apresentação e redução de preços. Tudo isso levou à comercialização do livro.
O mundo lê mais
No século XX, o consumo e a produção de livros aumentaram progressivamente. Lançado logo após a Segunda Guerra Mundial (1939/45), quando uma das características principais da edição de um livro eram as capas entrelaçadas ou cartonadas, o livro de bolso constituiu um grande êxito comercial. As obras - sobretudo best-sellers publicados algum tempo antes em edições de luxo - passaram a ser impressas em rotativas, como revistas, e distribuídas às bancas de jornal. Como as tiragens elevadas permitiam preços muito baixos, essas edições de bolso popularizaram-se e ganharam importância em todo o mundo.
No século XX, o consumo e a produção de livros aumentaram progressivamente. Lançado logo após a Segunda Guerra Mundial (1939/45), quando uma das características principais da edição de um livro eram as capas entrelaçadas ou cartonadas, o livro de bolso constituiu um grande êxito comercial. As obras - sobretudo best-sellers publicados algum tempo antes em edições de luxo - passaram a ser impressas em rotativas, como revistas, e distribuídas às bancas de jornal. Como as tiragens elevadas permitiam preços muito baixos, essas edições de bolso popularizaram-se e ganharam importância em todo o mundo.
Até 1950, existiam somente livros de bolso destinados a pessoas de baixo poder aquisitivo; a partir de 1955, desenvolveu-se a categoria do livro de bolso "luxo". As características principais destes últimos eram a abundância de coleções - em 1964 havia mais de duzentas nos Estados Unidos - e a variedade de títulos, endereçados a um público intelectualmente mais refinado.
A essa diversificação das categorias adiciona-se a dos pontos-de-venda, que passaram a abranger, alem das bancas de jornal, farmácias, lojas e livrarias, etc.
(Prefácio - Obra-Prima - Editora Martin Claret)
A essa diversificação das categorias adiciona-se a dos pontos-de-venda, que passaram a abranger, alem das bancas de jornal, farmácias, lojas e livrarias, etc.
(Prefácio - Obra-Prima - Editora Martin Claret)
Mistérios de Alexandria
Desde o início das civilizações, diversas publicações foram escamoteadas do grande público, criando um enorme mistério acerca de seu conteúdo. O caso mais emblemático talvez tenha sido o da biblioteca de Alexandria, que foi totalmente destruída por conter exemplares de alquimia, magia negra e relatos de encontros com extraterrestres.
Fundada em 297 antes de Cristo pelo ateniense Demétrios de Phalére, a dez grandes salas e mais de 700 mil obras, entre pergaminhos, papiros e outros materiais. A lei do Egito na época ordenava que todo livro que entrasse no país fosse direto para a biblioteca de Alexandria – o proprietário ficava apenas com uma cópia.
A coleção de obras ali era um tanto diversa e polêmica. Era possível encontrar desde os mais variados textos água-com-açúcar até livros considerados perigosos por supostamente conferir poderes ilimitados aos seus leitores. Na verdade, a maioria eram escritos hindus sobre medicina, chineses sobre alquimia, gregos sobre mecânica, entre outros. Um dos livros que mais deram o que falar era de autoria do próprio Demétrios, um curioso sujeito que naquela época gostava de descolorir os cabelos. Sobre o feixe de luz no céu era o título do livro, provavelmente a primeira obra sobre discos voadores de que se tem notícia.
Ainda no domínio alienígena, a biblioteca guardava a obra de Bérose, um sacerdote babilônio que viveu na época de Alexandre, o Grande (356-323 a.C). Em seu livro mais famoso, A História do Mundo, Bérose narrava seus encontros com uns seres semelhantes a peixes chamados Apkallus, que viviam em escafandros e teriam transmitido aos homens os primeiros conhecimentos científicos.
Com esse tipo de acervo, não era à toa que a biblioteca de Alexandria incomodasse. Por isso, durante muitos anos ela foi alvo de ataques. Quem começou a destruição foi o imperador romano Júlio César, em 47 a.C. o também romano Diocleciano (284-305) mandou tocar fogo em todas as obras que revelariam os segredos da fabricação do ouro e da prata. Isto é, todas as obras de alquimia.
Mas a pior e derradeira ofensiva ficou por conta dos árabes, no ano 646, quando tomaram a cidade. Eles achavam que não havia necessidade de nenhum outro livro no mundo que não fosse o alcorão. Assim, todo o mistério de Alexandria se foi. Segundo escreveu o historiador muçulmano Abd al-Latif (1160-1231): “A biblioteca de Alexandria foi aniquilada pelas chamas por Amr ibn-el-As, agindo sob as ordens de Omar, o vencedor”.
Fonte: Revista Aventuras na História
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